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Entrudo (Carnaval) Razão e Tradição

Hoje é terça-feira de Carnaval (Entrudo) uma das mais antigas e vibrantes expressões da cultura popular portuguesa.

Máscara veneziana...um Caranaval diferente
Máscara veneziana...um Caranaval diferente

Muito antes dos desfiles organizados e dos carros alegóricos modernos, já o povo celebrava os dias que antecediam a Quaresma com brincadeiras, máscaras e uma saudável inversão das regras sociais. Falar de “Entrudo, razão e tradição” é reconhecer que esta festa, tantas vezes vista como pura folia, também carrega significado histórico, social e até simbólico.

A palavra “Entrudo” deriva do latim introitus, que significa “entrada”, numa referência à entrada na Quaresma. Durante séculos, especialmente na Idade Média, era tempo de excessos consentidos: lançavam-se pós, água, farinha, e mais tarde limões de cheiro. Havia sátira social, críticas disfarçadas e uma espécie de libertação colectiva antes do período de contenção quaresmal.

Mas onde entra a razão numa festa aparentemente marcada pelo caos? A razão está na sua função social. O Entrudo funcionava como válvula de escape, permitindo que tensões acumuladas fossem libertadas de forma simbólica. Ao vestir máscaras, o indivíduo tornava-se outro, podendo dizer o que normalmente calaria. A ordem era temporariamente suspensa para, paradoxalmente, se reafirmar depois. Era o “caos organizado”, um ritual de equilíbrio social.

Em várias regiões de Portugal, o Entrudo assumiu formas próprias e identitárias. Em localidades como Lazarim, destacam-se as máscaras esculpidas em madeira, verdadeiras obras de arte carregadas de simbolismo. Já em Podence, os Caretos mantêm viva uma tradição secular, reconhecida como Património Cultural Imaterial, onde a irreverência convive com a preservação da memória colectiva.

Hoje, num mundo cada vez mais globalizado, o Entrudo enfrenta novos desafios. Entre a comercialização do Carnaval e a uniformização cultural, importa preservar a autenticidade destas manifestações. Manter a tradição não significa rejeitar a modernidade, mas compreender as raízes que nos sustentam.

“Entrudo, razão e tradição” é, portanto, mais do que um lema. É a síntese de uma celebração que atravessou séculos, reinventando-se sem perder a essência. É festa, é identidade, é memória — e, acima de tudo, é uma expressão viva da cultura popular que continua a unir comunidades em torno da alegria e do sentido de pertença.

Redacção|Imagem I.A.

 

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