Alqueva gerou riqueza, mas o Alentejo continua a perder população
Estudo da Universidade de Évora e do Instituto Superior Técnico aponta desigualdades sociais, precariedade laboral e concentração da propriedade, apesar da modernização agrícola e do crescimento económico.

O empreendimento de Alqueva transformou a agricultura e impulsionou a economia do Alentejo, mas não conseguiu travar o despovoamento nem reduzir as desigualdades sociais. Esta é a principal conclusão de um estudo de investigadores da Universidade de Évora e do Instituto Superior Técnico, publicado em 2026 na revista científica Sustainability.
A investigação reconhece os benefícios do empreendimento, nomeadamente a expansão do regadio, o aumento das exportações agrícolas, a produção de energia renovável e o desenvolvimento turístico. Contudo, os investigadores alertam que estes avanços não foram acompanhados por melhorias equivalentes nas condições de vida das populações.
O envelhecimento demográfico, a perda de habitantes, a precariedade laboral de muitos trabalhadores agrícolas migrantes e a concentração da propriedade em grandes explorações continuam a marcar a região. A estes problemas juntam-se a pressão sobre os recursos naturais e o facto de uma parte significativa da riqueza gerada não permanecer no território.
Segundo Carlos Gonçalves, da Universidade de Évora, o caso de Alqueva demonstra que uma grande infraestrutura pode alcançar resultados económicos importantes sem garantir um desenvolvimento territorial justo e equilibrado.
O estudo defende, por isso, uma maior redistribuição da riqueza, melhor coordenação entre instituições e maior participação das comunidades locais, para que os benefícios do investimento se traduzam em emprego digno, sustentabilidade ambiental e melhores condições de vida.
Os investigadores concluem que o sucesso de grandes projetos públicos não deve ser medido apenas pela produção ou pelo investimento realizado, mas também pela sua capacidade de fixar população, reduzir desigualdades e promover o desenvolvimento das comunidades onde se inserem.
Redacção|Fonte:Univ. Évora-Foto joaoluismf-D.R.






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