Rui Miguel Nabeiro mantém ambição de levar a Delta ao Top 10 mundial
- Redacção - Notícias de Arronches

- há 11 minutos
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CEO do Grupo Nabeiro-Delta Cafés reafirma compromisso com Campo Maior, aposta no crescimento internacional e na continuidade dos valores deixados pelo fundador, Rui Nabeiro
Rui Miguel Nabeiro, presidente executivo do Grupo Nabeiro-Delta Cafés, reafirma a ambição de colocar a Delta entre os dez maiores produtores mundiais de café nos próximos 20 anos, mantendo ao mesmo tempo uma forte ligação a Campo Maior, terra onde a empresa foi fundada em 1961 pelo seu avô, Rui Nabeiro.

Em entrevista à Executive Digest, o responsável sublinha que o crescimento futuro do grupo passará por duas vias: o crescimento orgânico, através da conquista de novos clientes e da inovação, e a aquisição de empresas, sobretudo em Espanha e noutros mercados europeus. O Grupo Nabeiro já é, segundo Rui Miguel Nabeiro, o maior operador da Península Ibérica no sector do café.
Espanha surge como um dos principais mercados estratégicos. O grupo pretende reforçar a sua presença naquele país, particularmente no canal Horeca, estando a avaliar novas aquisições. A Europa continuará, de resto, a ser o principal espaço geográfico de expansão da empresa.
Em Portugal, a Delta mantém uma posição de liderança, com mais de 50% de quota no café moído e em grão e cerca de 30% no segmento das cápsulas, posições que Rui Miguel Nabeiro considera essencial preservar. A Polónia é também apontada como mercado prioritário, nomeadamente no segmento das cápsulas.
Um dos pontos de maior interesse para a região é o investimento de 20 milhões de euros na fábrica Nova Delta, em Campo Maior, que permitirá duplicar a capacidade produtiva. Para Rui Miguel Nabeiro, permanecer em Campo Maior não é uma questão meramente estratégica: “É a nossa fábrica, é ali que estamos, foi ali que crescemos e é ali que queremos estar”.
O investimento permitirá preparar a empresa para os próximos cinco a dez anos, aumentando a capacidade e, sobretudo, a eficiência dos processos produtivos.
A entrevista aborda igualmente a transformação do Grupo Nabeiro, que deixou de estar exclusivamente ligado ao café para assumir-se como fornecedor de bebidas quentes e frias, incluindo cafés, chás, águas, vinhos, cervejas e refrigerantes, além de outros produtos alimentares.
Apesar da crescente internacionalização, Rui Miguel Nabeiro insiste na importância das pessoas e da relação com a comunidade, recuperando aqueles que considera serem os quatro grandes pilares herdados do avô: clientes, colaboradores, fornecedores e comunidade.
É precisamente esta relação com as pessoas que, segundo o CEO, continua a marcar a cultura empresarial do grupo. A transparência com os colaboradores, a proximidade da gestão e a preocupação com o bem-estar das equipas são apresentadas como elementos essenciais para manter uma organização coesa.
Rui Miguel Nabeiro reconhece também a dificuldade do período em que assumiu a presidência executiva, em Novembro de 2021. A empresa vinha de dois anos de prejuízos, num contexto marcado pela pandemia, pela guerra, pela inflação e pela subida do preço do café. A resposta passou pelo controlo rigoroso dos custos, pela saída de negócios considerados pouco rentáveis e pela concentração no negócio principal.
O grupo conseguiu inverter a situação e regressar à rentabilidade, mantendo a aposta no crescimento. Para este ano, a expectativa apontada pelo CEO é de um crescimento na ordem dos 9%.
A inovação é outra das áreas em que o Grupo Nabeiro pretende continuar a investir, através de projectos internos e de parcerias com startups. A empresa tem vindo igualmente a acompanhar o desenvolvimento da Inteligência Artificial, sobretudo enquanto ferramenta para aumentar a eficiência e melhorar o serviço prestado aos clientes.
Com mais de 30 empresas, presença em mais de 40 países, operações directas em oito mercados, cerca de quatro mil colaboradores e aproximadamente 50 mil clientes, o Grupo Nabeiro mantém o café como actividade central.
Mas, para Rui Miguel Nabeiro, o futuro passa também pela continuidade da empresa enquanto projecto familiar. A família, garante, está comprometida com o futuro do grupo e não pretende vender o negócio. O desafio será assegurar uma adequada separação entre família e gestão e preparar as próximas gerações para uma eventual participação na empresa.
Mais de seis décadas depois de Rui Nabeiro ter iniciado, em Campo Maior, um projecto empresarial num pequeno armazém de 50 metros quadrados e com apenas três trabalhadores, o seu neto procura agora levar esse legado para uma nova dimensão internacional, sem perder a ligação às suas raízes.
“É ali que estamos, foi ali que crescemos e é ali que queremos estar.” É nesta ligação a Campo Maior que Rui Miguel Nabeiro continua a enquadrar uma estratégia que pretende fazer da Delta uma referência mundial no sector do café.
Redacção|Créditos: Entrevista e foto - Executive Digest





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