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Agropecuária, digitalização e críticas à PAC marcam abertura do Festival “Saberes e Sabores”

Mesa Redonda Reforma da PAC e acordo U.E.-MERCOSUL


Na sessão de abertura do 2.º Festival “Saberes e Sabores”, a empresária Maria João Valentim, destacou o papel de várias figuras do sector, sublinhando o contributo de “três senhoras com S grande” e do associado Luís Miguel Bagulho, cuja experiência e resiliência considerou fundamentais para o debate.


A empresária Maria João Valentim na sua intervenção no painel 'Reforma da PAC e acordo U.E.-MERCOSUL'  (Imagem extraida de video em directo do evento - Créditos: C.M. de Arronches)
A empresária Maria João Valentim na sua intervenção no painel 'Reforma da PAC e acordo U.E.-MERCOSUL' (Imagem extraida de video em directo do evento - Créditos: C.M. de Arronches)

A intervenção centrou-se nos principais temas abordados ao longo do painel, começando pela integração dos critérios ESG (ambientais, sociais e de governança) nas cadeias de valor. Segundo a oradora, esta tendência poderá representar simultaneamente um desafio e uma oportunidade para o sector agropecuário, exigindo preparação por parte dos produtores.

Outro dos pontos em destaque foi a digitalização da agricultura, considerada “muitíssimo importante” face à escassez de mão-de-obra. O recurso a tecnologias como drones, colares electrónicos e sistemas de gestão de dados foi apontado como essencial para aumentar a eficiência das explorações e atrair novos, especialmente jovens, agricultores.

Durante a tarde, o debate alargou-se a questões estruturais do sector. Entre as críticas, Maria João Valentim apontou o novo regulamento da Política Agrícola Comum (PAC), referindo que este prevê apenas “rendimentos suficientes” para os agricultores, o que classificou como insuficiente para garantir a sustentabilidade económica da actividade.

A empresária sublinhou ainda a importância da agropecuária nos territórios de baixa densidade, onde os agricultores desempenham um papel central na manutenção da actividade económica e do equilíbrio territorial. Ainda assim, alertou para o facto de o rendimento agrícola representar cerca de 70% do registado noutros sectores.

Apesar de reconhecer um momento positivo no sector dos bovinos de carne, alertou para a necessidade de valorizar os produtos e evitar práticas de dumping, que classificou como ilegais. Entre os principais constrangimentos identificados está também a ausência de matadouros de proximidade, obrigando produtores a deslocações superiores a 200 quilómetros, como no caso do recurso ao matadouro de Alcains.

A perda de valor acrescentado foi outro dos temas abordados. Maria João Valentim criticou a exportação de animais para transformação no estrangeiro, apontando o exemplo do porco alentejano, cuja valorização final ocorre frequentemente em Espanha, e dos bovinos exportados para outros mercados.

No plano político, a oradora alertou para a redução do orçamento da PAC destinado a Portugal, considerando-o insuficiente face às necessidades do sector. Defendeu, por isso, um reforço da influência política e dos mecanismos de negociação, sobretudo em regiões de baixa densidade onde a agricultura é determinante.

Por fim, deixou um apelo aos responsáveis políticos presentes (Presidente da CCDRA), incluindo autarcas e deputados, para que reforcem o apoio à pecuária extensiva e ao sector agrícola em geral, sublinhando a sua importância para a coesão territorial e para a sustentabilidade das comunidades rurais.

Terminou a sua intervenção apelando a que o Ministro da Coesão ‘abra os cordões à bolsa’ para este sector da economia nacional.

Redacção|Fonte: Áudio e foto (facebook directo)

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