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Tribuna do Director
Fernando Marques

ARRONCHENSES VOTARAM NA CONTINUIDADE

Ninguém terá duvidas que de todas as eleições na democracia portuguesa, as autárquicas são aquelas que mais motivam os portugueses, mesmo com a taxa de abstenção que se verifica.

Os motivos são óbvios: Em nenhuma outra há uma proximidade com os eleitos, e são estes que resolvem de alguma forma, os problemas das suas autarquias - câmaras municipais e juntas de freguesia.

Nas eleições do passado domingo, ficou de forma bem evidente a bipolarização das eleições autárquicas em Arronches. No entanto para além do PS, PSD e CDU, apareceu o Chega, para retirar alguns votos (30) aos candidatos.

Num universo de tão poucos eleitores, num concelho cada vez com menos população a colocar o voto nas urnas, este foi um dos aspectos relevantes na decisão final.

Para além desta nuance, colocava-se a situação premente do voto na continuidade ou a mudança. Por vezes, os pratos da balança desequilibram por factores que vão para além das próprias propostas dos partidos. Vai com o perfil do candidato, do seu conhecimento ou, até talvez, da sua proximidade e relação com os eleitores.

Acredito que no domingo, a grande maioria dos eleitores arronchenses já tinham a sua opinião formada. Até mais, alguns nem se dignaram ler os programas de cada um dos partidos, porque a cor partidária pesou mais.

O dia foi de sol, convidativo a participar no acto eleitoral. Nas quatro mesas de voto nas três freguesias e condicionados pelo distanciamento pelo Covid-19, os eleitores fizeram filas, em especial na freguesia urbana de Assunção. Eventualmente a baixa abstenção verificada em relação ao resto do país, diz-nos hoje que, os arronchenses tinham bem presente o direcionamento do seu voto, esse voto que tanto custou a conquistar e hoje muito banalizado pela descredibilização da classe política e que se reflecte na abstenção de quase 50% dos portugueses não irem votar.

Em Arronches os eleitores preferiram apostar na continuidade e deram o seu voto a João Crespo, até então Vice-presidente da autarca Fermelinda Carvalho que, também ela,  acabaria por conquistar a Câmara de Portalegre. Talvez os portalegrenses apostaram nela com base no trabalho desenvolvido em Arronches. Nunca saberemos se foi esse o motivo ou, quiseram mudar o rumo da capital do distrito. Por cá, vamos ter mais quatro anos de liderança PSD com três vereadores e o PS na oposição com dois.

Numa vila ou cidade nunca está tudo feito, não é necessário apostar em rotundas ou obras megalómanas. É preciso isso sim, apostar no futuro dos jovens para se fixarem no concelho de Arronches, trazendo para o interior desertificado o investimento que, em conjunto com a qualidade de vida que aqui possam encontrar, seja o garante de constituírem família, contrariando os números do Censos.

As cartas estão jogadas. Agora esperamos por um jogo limpo por parte dos novos protagonistas políticos. Que os vencedores tenham a capacidade de aproveitar nos debates nos órgãos autárquicos as propostas válidas dos vencidos, pensando sempre, mas sempre, no bem comum de todos os arronchenses que os elegeram, quer no comando dos seus destinos, como na oposição.

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A REVOLTA DE PEDRO NUNO SANTOS

Pedro Nuno Santos tem o meu voto. Não tenho memória de ver um membro do governo com coragem para dizer o que todos sentem: a máquina burocrática do estado prejudica todos! Disse o que lhe ía na alma. Perdeu um “bom gestor” da ‘CP’, nas suas palavras. Por causa da burocracia, no caso de uma demorada resposta do Ministério das Finanças. Apesar de membro do mesmo governo, não se coibiu de assumir publicamente a sua revolta e de dizer verdades. “Alguém tem que dizer isto”, foram as suas palavras. Parabéns pela frontalidade. Os portugueses revêem-se nessa revolta.

Muitos são os bons gestores que o estado perde à custa da crónica burocracia. O governo e a política também perdem. São cada vez mais aqueles que sabem da poda que não estão dispostos a ficar mal, a passar por incumpridores e maus gestores, sem culpa. As mais das vezes optam por bater com a porta. Desta vez, um governante não bateu com a porta. Optou por dar com a língua nos dentes. Por mostrar emoção e revolta. Dizendo claramente que o estado é prejudicado com a sua própria burocracia.

Muitas foram já as promessas de modernização do estado. Muito dinheiro da Eurolândia foi gasto nesse grande objectivo nacional. Mas, não bastam máquinas, software e adequadas instalações. Para além de muita formação. É que a atitude não se compra. Reduzir ao mínimo a burocracia vai levar gerações. Está enraizada. Autoalimenta-se. É o inimigo invisível do progresso.

Há vida para além da burocracia. Mas, vamos sofrer muito até nos livrarmos dela. Há que acreditar! Até lá, parabenize-se aqueles que tem a coragem de levantar a voz contra essa chaga!

Eduardo Costa, Jornalista,

Presidente da Associação Nacional

da Imprensa Regional