53160521_10212571691638915_8994774889311240192_n.jpg

Tribuna do Director
Fernando Marques

Quando a notícia ‘apaga' o que foi (é) notícia

 

Parece contradição mas na realidade não o é, porque os factos aí estão para o comprovarmos.

Não há muito tempo em que capas de jornais e aberturas de telejornais, o tema em destaque era a pandemia provocada pelo Sarscov2-Covid-19. Ele era o número de infectados por região, os surtos nos lares ou escolas, os hospitais a rebentarem pelas costuras, a exaustão dos profissionais e lamentavelmente o número de mortes. Muitos eventualmente registados como sendo por Covid, mas os óbitos associados a outras patologias. Naturalmente que seria mais fácil o processo de meter num saco um nosso ente querido, sem o podermos ver ou proporcionar-lhe um último adeus, durante um funeral.

Tudo isso parece que foi varrido da memória dos portugueses. A causa é que a notícia recente 'apaga' aquilo que infelizmente ainda aí está a fazer parte da nossa existência enquanto seres humanos, vulneráveis aos vírus como o Covid-19 e as suas variantes, que contabilizam milhões de mortes em todo o Mundo.

No dia 24 de Fevereiro a Ucrânia foi invadida pelo exército de Putin e está a varrer do mapa cidades, vilas e aldeias e com isso milhares de mortes de civis e quase 4 milhões de refugiados.

Esta é uma guerra cruel e devastadora, sem outro motivo aparente que não seja o geoestratégico. Putin quer uma Ucrânia continental sem saída para o mar, por isso a Rússia ao 'conquistar' o leste abre-lhe caminho para o Mar Negro.

As consequências desta guerra que se vai ainda prolongar no tempo, como o caso da Síria, pode entrar numa situação de guerrilha, mesmo que os russos destruam tudo pelo seu caminho para juntar o Oblasts de Donetsk e Luhansk (na região da Bacia do Donets (Donbas) Donbast à Crimeia.

Esta guerra não só está a levar a um 'genocídio' que começa a ser investigado, como a produzir confronto de interesses entre países 'subjugados' ao petróleo e gás russo (subsidiando indirectamente esta guerra), como a uma subida vertiginosa nos preços de matérias energéticas, como nos bens alimentares pela sua escassez e dificuldade acrescida no custo de componentes e transportes.

É a inflação galopante que já se faz sentir e de que maneira, a quem entra sobretudo num supermercado porque necessita de colocar comer na mesa para a família.

Temos um novo Governo e o Parlamento instalados, do qual se esperam medidas que minimizem o custo de vida. Há um OE-2022 do qual se espera a ajuda a empresas, classe média, mas que não se deve esquecer através do Plano de Recuperação e Resiliência-PRR e das verbas disponíveis pelo Portugal2023, dos pobres e desempregados.

O Governo já apresentou o OE mas continua apostado em baixar o défice. Estamos perante uma crise igual ou pior do que a provocada pela pandemia. Os portugueses deram a maioria a António Costa que agora terá que fazer por merecer esse voto de confiança que, se calhar, nem ele próprio esperava. Vamos ver do que é capaz, face às promessas que fez. Sabemos que num contexto totalmente diferente do que hoje vivemos.

Eduardo Costa_InPixio.png

Eduardo Costa
Jornalista e Presidente da ANIR

Os 93 anos e 'as amendoas'

“Tem 93 anos!” A empregada, que trabalhava naquele estabelecimento há 38 anos, pormenorizou. “É ele quem faz as compras, trata das contas e do fabrico!”

O homem atendia ao balcão com celeridade motivadora e bem-disposto. Aquela loja vendia amêndoas e outras guloseimas. Fabrico caseiro. “Quando não havia supermercados as pessoas faziam fila nesta época!” Mesmo assim o estabelecimento estava com bastante movimento. “São 60 anos, que nos deram fama e cá vêm avós a comprar as guloseimas para os netos há décadas!”

O exemplo daquele homem é isso mesmo: um exemplo! Diz-se que a pessoa definha quando pára! Aquilo que pode significar uma nova vida de relaxamento, sem preocupações, muitas das vezes significa a quebra de um ritmo que a mantém activa. “A vida sedentária compromete a auto-estima do idoso e favorece o seu isolamento. Com isso, a chance de desenvolvimento de depressão é maior”. O resultado deste estudo aconselha as pessoas a não parar a actividade, Diminuir não significa parar. “Manter as actividades que já estão acostumadas as fazer”, recomenda outro estudo. Manter p cérebro a funcionar e o corpo a mexer pode acontecer mantendo a actividade “que faça com que se achem úteis”. Sentir-se útil, mexer o corpo, manter as rotinas, exercitar o cérebro. Parece ser ingredientes para uma longevidade saudável.

Este comerciante de 93 anos, especialista em amêndoas foi o bom exemplo de tudo isso que encontrei nesta Páscoa. O seu frenesim acompanhava qualquer jovem! Exemplos que nos fazem reflectir.