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Tribuna do Director
Fernando Marques

Haverá sempre Natal

Ainda ontem era Janeiro e já estamos no final de mais um ano. Diríamos noutra altura... 
O tempo que o tempo nos dá, parece agora mais longo, parece até que há algo que não nos deixa sair deste tempo de incerteza, de saturação. Da mostragem de números constante que quase nos levam a pensar que vivemos um filme de terror. Ele são os infectados, os internados, os infelizmente falecidos e pouco ou nada se fala dos recuperados. Na recuperação reside a capacidade de resistir a todo este 'cataclismo' que nos caiu em cima e que nos traça linhas vermelhas.
Tempo difícil de vagas e mais vagas, na pandemia e nas vagas que perturbam esses oceanos que gostamos de ver límpidos e de águas mansas. Pelo contrário as suas vagas chegam com violência às costas nos vários continentes e causam a destruição, a morte e a incerteza no futuro, arrastando consigo uma nova vaga: os mares de plástico.
Os mares de plástico e as indústrias poluentes. Os combustíveis fósseis e o 'buraco do ozono', as alterações climáticas que nos mudaram as estações. Já cai neve não de mansinho mas de forma abruta nas estações quentes e chove copiosamente quando o tempo seria de temperaturas amenas. Reúnem-se os mais poderosos com designações de 'G' para resolverem uma mão cheia de nadas. A economia não se compadece com tragédias mesmo que elas façam desaparecer cidades em estados americanos. Promete-se apoios para todo o tipo de situações, Injecta-se mais dinheiro. É a economia a funcionar na sua grandeza do poder sobre o sofrimento que não tem escritórios em Wall Street.
Podem derreter os glaciares pelo efeito de estufa; pode a alta finança não permitir uma sociedade mais justa; podem os ricos e poderosos fazer viagens ao espaço que, num lugar qualquer do planeta cada vez menos azul, nascerá o Sol que trará consigo um novo dia… e com ele a esperança ao comum dos mortais, e todos os anos haverá Natal…mesmo condicionado pela pandemia.
Um Feliz e Santo Natal

Nota - Enquanto director deste jornal e ao entrarmos no 20º ano de edição, não posso deixar passar a ocasião para agradecer a todos aqueles que, ao longo destes anos, nos ajudaram a manter este sonho: Arronches tem um órgão de comunicação social que escrevesse a sua história para memória futura.
Esse desiderato só foi possível, graças a todos os que, de forma altruísta contribuíram para tal, quer através dos seus artigos que enriqueceram e continuam a enriquecer este projecto, bem como os nossos anunciantes, sem os quais seria impossível colocar todos os meses o Notícias de Arronches de forma gratuita nas mãos dos seus leitores.
Grande parte da equipa inicial continua empenhada neste jornal, outros ficaram pelo caminho por circunstâncias várias, com outros projectos de vida e falta de tempo.
Neste tempo de Natal, de sentimentos à flor da pele, há um que permanecerá sempre na nossa recordação: Gamaliel Brás Carlos, um saudoso Amigo que esteve ao nosso lado desde a primeira hora.

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Eduardo Costa
Jornalista e Presidente da ANIR

AFINAL, MARCELO PERCEBEU MAL 
 
 
O ministro da Defesa achou que não tinha nada que dizer ao chefe (o Presidente da República, Chefe Supremo das Forças Armadas) sobre o triste caso dos militares que terão traficado diamantes e droga numa missão internacional das Nações Unidas (ONU). E nada disse pois tinha um parecer jurídico que concluía que não tinha que dizer. Chamado, na Assembleia da Republica, a exibir tais pareceres, afinal nada tinha. O parecer jurídico saiu da própria cabeça. A confusão foi do Presidente da República, que disse haver um parecer jurídico. Este confessou que havia percebido mal. O que Marcelo Rebelo de Sousa tem que engolir em nome da estabilidade e prestígio das instituições. “O ministro não é jurista, mas pensa como um jurista e decidiu. Já são dois os ministros do governo que não sendo juristas acham que sabem”, disse o também professor de direito. “Mas, estão certos na sua interpretação jurídica, apesar de não serem juristas!”, concluiu o Presidente da República. Disse-o com ironia? Com “voz de estado”. Claro. Para bom entendedor…
Estará em causa, menos a falha do ministro em não ter informado os seus superiores hierárquicos, e mais a atitude trauliteira. Se errou, assumia, pedia desculpa. Ficava bem. Seria um bom exemplo ver um político assumir que erra. Afinal, errar é humano. E mesmo que alguns políticos achem que estão acima dos comuns cidadãos, (lamentavelmente…) teremos que os lembrar que são humanos como todos nós.
Mais um triste episódio que não prestigia a política e os políticos.