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Tribuna do Director
Fernando Marques

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Eduardo Costa
Jornalista e Presidente da ANIR

Vá o diabo e escolha…
 

Aí está, passados 12 anos do anúncio, começou o Campeonato do Mundo de Futebol, no Qatar.

Este pequeno país de pouco mais de dois milhões de habitantes, com um regime que nada de democrático tem. No entanto tem, tanto do vil metal, que é considerado um dos países mais ricos do Mundo.

Ora é esta situação económica/financeira que levou o senhor Blatter (FIFA) e Platini (UEFA) em 2010 com que saísse do famoso envelope o Qatar como organizador destes jogos. Entretanto agora em 2022 Blatter afirma que o Qatar "é um país pequeno demais" e que "o futebol e o Campeonato do Mundo são grandes demais para isso". Só passados 12 anos chegou a este pensamento profundo…

Houve todos estes anos para o Qatar se preparar para receber o evento, o que nunca antes tinha acontecido. Como o dinheiro não era problema, este país da Ásia Continental, começou por construi r blocos de apartamentos, outras localidades, vias rodoviárias, hotéis e logicamente os estádios (com ar condicionado) onde decorre o Campeonato.

Foram várias as construções, mas foi de forma especial a morte de muitos trabalhadores que levantou os protestos de grupos defensores dos direitos humanos e de alguns governos, alguns dos quais democráticos mas, onde ocorrem tragédias não desde género, mas de outras dimensões.

Há governantes a serem contestados por afirmações (por vezes fora de contexto) das suas opiniões sobre este evento futebolísticos, entre eles o nosso Presidente da República. O que importa os direitos humanos se temos relações diplomáticas com o Qatar. Se necessitamos de países desta região, sejam mais ou menos democráticos, pois dependemos deles para dar à chave do nosso automóvel e ele andar. O que não acontece se não tiver gasolina ou gasóleo na sua maioria, pois já temos os eléctricos e a hidrogénio.

Seria caso para recordar o outro que dizia que a “democracia começa e acaba, no meu estômago e da minha família”, neste caso o combustível”.

Durante este período em que decorre o Campeonato, foi-nos dado ouvir em directo jornalistas, sobretudo desportivos, a dizer que este é um países em que nada falta, tudo está pensado e bem estruturado, ao ponto de se construírem novas localidades. Referem que as paisagens são deslumbrantes, em especial à noite. Não deixando de dizer que nem todos os direitos são respeitados, que têm que andar com um cartão pendurado ao pescoço que os certifica como visitantes autorizados a estarem no Qatar mas, ao mesmo tempo, esse cartão com um QR Code lhes dá acesso gratuito aos transportes, após a sua leitura.

Entre certas democracias (com tanta desigualdade e oportunidades) e o Qatar, vá o diabo e escolha…

SOMOS A ‘CALIFÓRNIA DA EUROPA”

O prestigiado jornal americano “Wall Street Journal” concluiu que muitos reformados americanos escolhem Lisboa para viver. As razões são variadas. Um custo de vida “baixo” (segundo os padrões norte-americanos), acesso a cuidados de saúde gratuitos ou muito baratos quando contratados seguros, clima quente, incentivos fiscais, segurança e facilidade em obter um visto de residência. A simpatia dos portugueses também conta.

“Além do clima maravilhoso e da beleza natural, este é um país amoroso onde você pode desfrutar das coisas simples da vida em um ambiente cultural, seguro, diversificado, acessível e sustentável.” Esta é a forma como Portugal se apresenta aos americanos.

Na passada semana, o Turismo de Portugal “invadiu” com outdoors digitais o coração de Nova Iorque. Foi uma hora de paisagens portuguesas, na emblemática ‘Times Square’, para seduzir os americanos.  E o famoso museu ‘Madame Tussauds’ estreou a estátua em cera de Cristiano Ronaldo! A ‘estrela global’ que é um orgulho nacional, também a ajudar Portugal a promover-se no coração de Nova Iorque.

“A Califórnia da Europa”. Assim já somos designados pelos cidadãos da maior potência do mundo.

Só temos que acreditar que a nossa secular capacidade de criar burocracia desnecessária não afugente os interessados. Vamos acreditar que a promoção internacional onde Portugal investe, apresentando-se como país moderno, não esbarre na triste mania de excesso de arreliadora burocracia.

Eduardo Costa, Jornalista, presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional