VINDIMA NA HORTA DA FARINHA (João Luís Costa)



A vindima dos pequenos produtores tem muito da socialização entre familiares e Amigos, pois não está subjacente aos factores da produção da vinicultura industrializada, hoje por hoje já com menos braços de trabalho pois as máquinas (com raras excepções) fazem esse operação mais rápida e com menos custos.

Desde há muito que o João Luís reúne nesta altura familiares e amigos (alguns já infelizmente ausentes) para fazer a vindima na sua quinta, privilegiada pela passagem do Rio Caia aos seus pés (em anos que ainda leva água) e pela mirada atenta do Passeio do Vassalo.

No dia 27 dum verão atípico, a vindima foi antecipada com a bênção do Padre Marcelino. Logo pela manhã, com o sol a começar a raiar por entre as várias tonalidades das folhas das videiras, começou a faina, em cortar os cachos da uva, transportá-los para que as máquinas (em menor escala mas também presentes) pudessem começar a transformar os bagos da uva no precioso néctar dos deuses.

O total da produção não é o mais importante, porque de forma geral é para gasto da casa e, em grande parte para distribuir pelos Amigos, os presentes e outros que não puderam estar.

Depois da faina continuou a socialização em torno do almoço que juntou todo este grupo e outros convidados que vieram para o mesmo. É sempre à mesa que surgem as histórias de vindimas antigas…e outras. Recordo uma há 18 anos, em que cozinhei uma ‘caldeirada à pescador’ que em princípio era para cerca de 30 e acabou por ser aumentada para mais de 60, por motivo das Festas de Campo Maior...e os Amigos do João Luís começaram a chegar.

Depois do repasto com a amabilidade dos anfitriões (o João e a Ana), a conversa prolongou-se pela tarde dentro, colocando um ponto final em mais um ano de vindima.

Esperamos que o produto final, tenha o paladar que todo este ambiente criado entre o vindimar e a reunião dos presentes, nos deixou nesta tarde de amizade e convívio.



(Texto - Fernando Marques|Foto e vídeo - Notícias de Arronches)