REGIÃO - ESTREMOZ MEDIEVAL

Conferência de Marco Liberato, dia 16 de Abril às 16 horas na Igreja de Santiago


Porque nasci em Estremoz precisamente na Freguesia de Santo André, onde está integrado o Bairro de Santiago. Essa Rua Direita que na sua subida desemboca na porta medieval que nos leva até ao castelo com a sua Torre de Menagem. Quero pois compartir com os nossos leitores, este pequeno texto de Marco Liberato… e se poder vá até lá para ouvir esta conferência.


Estremoz um imperativo estratégico da monarquia portuguesa.


"A lacónica referência a Estremoz no primeiro documento conhecido, redigido em 1250, informa-nos que seria então um pequeno aglomerado, servido por uma igreja apenas. Mas durante a conjuntura política do reinado de D. Afonso III, a sua promoção a centro urbano afirmou-se como um imperativo estratégico.

Terminada a conquista do Algarve, as atenções do monarca concentram-se então na demarcação dos limites da sua soberania face a Castela. Nesse programa político, Estremoz ganhou amplo protagonismo, uma vez que vigiava e defendia antigas vias de circulação, que cruzavam a planície alentejana e se afirmavam como corredor preferencial de qualquer assédio a território português com origem em Badajoz.

A partir de 1258, o poder real empreendeu várias iniciativas no sentido de a transformar num núcleo urbano relevante, atribuindo-lhe foral corn evidentes privilégios para os povoadores (de onde se destaca a isenção de jugada), promovendo a construção de urna bastide e, materializando a vocação militar da então vila, erigindo uma cintura amuralhada. Acções que se traduziram num crescimento demográfico fulgurante, demonstrado de forma exemplar pela construção de mais duas igrejas até 1279 e pela precoce instalação dos Franciscanos, que iniciam a edificação de um cenóbio em torno de 1277.

Paralelamente são visíveis esforços para coartar a influência de eventuais poderes concorrentes, mantendo grandes reguengos na área, anulando presúrias e estimulando a distribuição de terras através de sesmeiros. A Ordem de Avis constitui o exemplo por excelência desse processo. A sua presença no novel concelho viu-se restringida, em 1258, aos padroados das Igrejas «construídas e a construir», sendo espoliada de várias propriedades, rurais e urbanas, que detinham até essa data.

Com esse passo, na segunda metade do século XIII, todos os concelhos que bordejavam a estrada romana Évora /Mérida em território português (Evoramonte, Estremoz e Elvas), se encontravam fortificados e na dependência directa do monarca. Demonstrando definitivamente a sua afirmação como esteios da defesa do Sul, onde a orografia facilitava os contactos, mas também a eficácia de urna eventual acção militar castelhana".


(Créditos CMEstremoz-Foto Arquivo)