EFEMÉRIDE - Porque o 8 de Setembro é o Dia da Extremadura

Por aquilo que nos une pela proximidade à Comunidade da Extremadura, pelos laços culturais, económicos e até familiares, quisemos trazer aqui um pouco da história deste dia tão importante para os nossos vizinhos extremenhos.


"Na construção da Comunidade da Extremadura após o nosso Estatuto de 1983 houve acordo sobre a bandeira e o hino. Resta escolher o Dia da Extremadura onde se originou um intenso debate.

Já concordaram na bandeira, até no hino, só restava escolher um dia na Extremadura, agora que éramos autónomos. Os deputados da Extremadura chegaram a um consenso: em 21 de Maio, data da constituição da Assembleia após as eleições de 1983, marco a partir do qual as instituições autónomas iniciaram seu caminho na nova Espanha democrática. É verdade que não foi um feito militar, nem um marco heróico, pois a democracia de 1978 havia chegado graças a uma ruptura acordada com o regime de Franco, sem revoluções ou tomada da Bastilha, sem encruzilhadas onde era preciso escolher "tudo ou qualquer coisa". Que a Espanha dos anos setenta soube chegar a pactos delicados, exercendo a política em seu sentido ciceroniano: "a arte do possível".

Pouco a pouco a autonomia foi tomando forma em nossa terra e foi formada uma assembleia de parlamentares eleitos pelos Extremenhos. A democracia trouxe autonomia, mas ainda não tínhamos data para celebrá-la. O dia 21 de Maio não foi emocionante, entre outros motivos porque a grande maioria da população não estava nem em dia com as instituições que estavam sendo construídas naquela época. A autonomia era como o futuro: um país desconhecido.

Por isso, foi necessário avançar, apontar uma data com a qual nós, Extremadura, nos pudéssemos identificar. Não para nos considerarmos diferentes e reivindicar privilégios, mas assumir que estávamos no mesmo barco e podíamos remar juntos, sem prejudicar os outros. Um time de futebol precisa de hino, bandeira, símbolos que unam torcedores e jogadores para torcer em uníssono no estádio. Todo grupo humano inventa, como dizia Voltaire de Dom Quixote, "paixões para se exercitar", porque sem paixões não há vida. E é que a razão fria, guia do saber, não é capaz de aproveitar, compreender e saborear as muitas faces da existência. Paixão e razão equilibradas são prova de sanidade e sucesso. O ruim é que a primeira prevalece sobre a segunda e, para o rabo descontrolado do coração, as batidas identitárias que os nacionalismos exclusivos elevam para impor sua verdade contra todos e tudo se desencadeia.

Não foi o caso da Extremadura, sem nacionalismo e com regionalismo fraco. Mas, uma vez que a autonomia chegou, era preciso criar símbolos de união, e não parecia que o 21 de Maio despertasse paixões suficientes para gerar a aglutinação perseguida. Ou, pelo menos, não se parecia com o presidente Juan Carlos Rodríguez Ibarra, que pensava na Virgem de Guadalupe como um símbolo que poderia unir os extremenhos, com os quais nos identificamos, já que ela havia sido proclamada padroeira dessas terras, e canonicamente coroada Rainha da Herança Hispânica em 1928. E aqui estava outro potencial do símbolo. A Virgem de Guadalupe foi uma porta aberta para a América, uma ponte que traçamos deste lado do Atlântico até nosso continente irmão. Assim, o presidente propôs o dia 8 de Setembro como o dia da Extremadura, com a Virgem de Guadalupe como figura que une e uma janela para outras culturas, tão diferentes e tão nossas".


(El Periódico | Alfonso Pinilla – foto D.R.)