AMÁLIA – UMA HISTÓRIA DE VIDA

O Centro Cultural de Arronches recebeu ontem pelas 21h30, o espectáculo (concerto Vox Angelis) comemorativo do Centenário de Amália Rodrigues, numa iniciativa da Câmara Municipal de Arronches.



A produção consistiu entre canções, contar a ‘História de Vida’ de Amália Rodrigues. A pobreza onde foi criada; a rejeição e discriminação social; os amores e desamores com os homens da sua vida, e a ascensão na sua carreira até chegar a ser uma vedeta internacional.

O regime de então aproveitava as figuras portuguesas com alguma notabilidade, como no caso do fado e de futebol, não esquecendo que, no período do 25 de Abril, tanto Amália como Eusébio foram pela esquerda revolucionária conectados com a ditadura. É certo que Amália mostrou simpatia por Salazar, como o seu contrário ao apoiar a esquerda e cantar autores anti-regime.


“Amália da Piedade Rodrigues nasceu em Lisboa, a 23 de Julho de 1920, falecendo nesta mesma cidade a 6 de Outubro de 1999, aos 79 anos. Foi uma cantora, actriz e fadista portuguesa, geralmente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. Está sepultada no Panteão Nacional, entre outras ilustres figuras portuguesas”. (Wikpédia)

Cantou Camões, David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, José Carlos Ary dos Santos, Alexandre O’Neil ou Manuel Alegre, entre muitos outros poetas. De grande influência na viragem do seu reportório ao cantar estes poetas, foi o luso francês, Alain Oulman.



Arronches recordou a grande Amália na voz de Pedro Miguel Nunes. Não colocamos em causa o valor artístico do intérprete mas, Amália merecia mais. Merecia que os seus fados fossem cantados por uma voz mais fadista, fosse ela masculina ou feminina.

Recorde-se que os instrumentistas anunciados foram substituídos por Francisco Pereira (guitarra portuguesa) e Carlos Viçoso (viola), para quem foram os aplausos mais fortes da noite ao interpretarem um instrumental de Armandinho.

Durante o espectáculo foram cumpridas todas as normas da DGS, impostas para este tipo de espectáculos em ambiente fechado.

Cruzei-me durante a minha vida duas vezes com a Grande Amália. Uma para a contratar para cantar na Praça de Touros do Montijo, outra para estar presente na Homenagem a Diamantino Viseu, com quem participou no filme ‘Sangue Toureiro’ que veio a Arronches durante a iniciativa ‘Junho Mês da Cultura Taurina’. Era uma grande senhora e de uma grande humanidade.


Fernando N. Marques|Director